OS 88 ANOS DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932
No dia 09 de Julho de 2020 comemoramos os 88 anos da preciosa passagem da nossa história que foi a Revolução Constitucionalista de 1932. Vamos brevemente relembrar os principais fatos históricos. Março de 1930: fim da República Velha, também conhecida por " República do Café com Leite" porque ora São Paulo, ora Minas Gerais, tinham o direito de eleger o Presidente da República, em um processo suspeito e pouco representativo. O último presidente da República Velha foi Washington Luiz . Nessa eleição seria a vez de Minas Gerais indicar o presidente, mas houve uma discordância e ficou de assumir Júlio Prestes, paulista, que havia ganhado as eleições. A discordância entre São Paulo Minas Gerais rompeu o acordo e Getúlio Vargas ( Rio Grande do Sul) acabou sendo escolhido. Por meio da chamada Revolução de 1930, Getúlio Vargas, mesmo derrotado nas urnas, toma o poder, apoiado pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, assumindo papel de "ditador". Entre seus apoiadores estavam forças militares ligadas ao "tenentismo ", que nos anos 20 exigiam mudanças e maiores possibilidades de ascensão social. No lugar dos governadores dos estados Getúlio nomeia interventores, em boa parte militares, inclusive São Paulo, prejudicando os interesses da população, restringindo direitos do povo e prejudicando empresários. Em São Paulo os cafeicultores ,outrora poderosos na economia e na política, eram mais uma vez prejudicados, pois já perdendo dinheiro com a queda de preços em virtude da queda da demanda internacional Grande Depressão dos anos 30). Em uma breve retrospecto histórico vejamos. 23 de maio de 1932: uma multidão protesta em São Paulo, o cortejo atravessou o Viaduto do Chá e chegou à Praça da República onde começaram os protestos diante de um edifício onde havia um escritório com seguidores ( armados) de Getúlio Vargas; alguns paulistas revoltados começavam a subir o prédio pelas laterais, de dentro, sentindo-se ameaçados, os partidários de Getúlio dispararam suas sub-metralhadoras, as rajadas de balas caíram na multidão, muitos foram feridos e cerca de 11 vieram a perecer. Segundo Ventura (2020) dentre os revoltosos que morreram destacavam-se na frente Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo (MMDC); eram homens do povo: Mário Martins de Almeida era fazendeiro em sertãozinho; Euclides Miragaia era auxiliar de Cartório; Dráuzio Marcondes de Sousa era farmacêutico e Antônio Camargo de Andrade era cafeicultor, em sua, os quatro pessoas comuns do povo. Não eram simplesmente "estudantes" como equivocadamente muitos os tem chamado. A partir de então surgiu o codinome "MMDC" sob cujo nome reuniões secretas passaram a ser realizadas em São Paulo, geralmente na tradicional " Posillipo" , à Rua Pain 277, depois extinta, para planejar a revolução armada cujo objetivo seria depor o ditador Getúlio Vargas. O movimento cresceu e encorpou, sendo formado pela antiga Força Pública, atual Polícia Militar, com mais de 10,000 combatentes, as forças do Exército Paulista, uns 3500 homens e o restante de voluntários, uns 40,000 homens, mas fuzis em número limitado restringindo o número de combatentes. Fala-se que havia entre 100.000 e 200.000 paulistas que desejavam ir a combate por São Paulo, sendo de Piracicaba uns 600 homens e de São Pedro e região 36. Entre os voluntários estavam os sendo 27 são-pedrenses dentre os quais meu pai, Sebastião de Azevedo Aguiar. 09 de Julho de 1932: São Paulo entrou na luta para resgatar seus direitos aguardando o apoio de Minas Gerais e Mato Grosso, onde haviam importantes contingentes do exército. A guerra deu-se em duas frentes a saber, na Frente Sul, onde os paulistas combateram os destemidos gaúchos, tanto é que deram-se combates intensos em Buri e a Frente Norte, com destaque para as regiões do Vale do Paraíba. Soldados de Getúlio Vargas desembarcavam em praias de Santos e subiam a Serra da Mantiqueira, atingindo regiões próximas a Cunha A disparidade de forças em número e em qualidade de equipamentos era insuperável para os paulistas. 02 de Outubro de 1932: ante o poderio do inimigo que infligia crescente número de baixas nos paulistas São Paulo decide firmar um Protocolo para Cessar as Hostilidades no Colégio Ranulfo Azevedo, em 02 de Outubro de 1932, na cidade de Cruzeiro, cessando as hostilidades, situação que até hoje se perpetuou. São Paulo nunca se rendeu. A ditadura de Getúlio Vargas foi reimplantada em São Paulo onde um general tomou o poder. São Paulo foi derrotado nas armas mas não nos seus direitos porque o então Presidente e Ditador Getúlio Vargas concede ao povo brasileiro uma nova Constituição Federal, em 1934, restaurando, parcialmente, os direitos exigidos. A Revolução Constitucionalista de 1932 deixou marcas profundas no um enorme contingente oficialmente contabilizados em 934 mortos ( na realidade um número superior de até 2000 mortos aproximadamente). As famílias dos revolucionários paulistas houveram por bem erigir um monumento exaltando o patriotismo do povo paulista, ou seja o conhecido Obelisco do Ibirapuera que contém o Mausoléo, onde se acham caixinhas de metal contendo os restos mortais dos heróis do movimento ( os quadro do MMDC, além de Paulo Virgínio, herói de Cunha) e outros cerca de 900 herois de 1932 e combatentes. O Governo da Ex-Presidente Dilma Rousseff reconheceu que Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram heróis nacionais. Esta foto a seguir foi tirada por ocasião da visita a Cruzeiro e ao Tunel da Mantiqueira, publicada nesse blog. Idenrtificando as pessoas: o Presidente da Sociedade de Veteranos de 1932 na época, Cel PMSP REs. Mário Fonseca Ventura ( terceiro da direita para a esquerda, a seguir de farda o Comandante das Forças Constitucionalistas, Wilian Worth Mascarenhas ( fal.) e o penultimo da esquerda para a direita o prof João Francisco de Aguiar, filho do combatente de 1932 Sebastiao de Azevedo Aguiar.,

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